E minha mãe chorou...
A educação, da família à escola, vem apresentando sérios problemas estruturais. Os professores qualificados não são devidamente valorizados, sofrem com a má remuneração, além do desinteresse dos alunos e família na participação escolar. Já os desqualificados não se preocupam e deixam o circo pegar fogo. Pais superprotetores atrapalham a educação de seus filhos, reclamam quando são chamados à escola, acham que é função das instituições de ensino dar toda a educação necessária aos alunos e esquecem-se de suas responsabilidades.
Os métodos falidos de ensino são facilmente detectados em escolas e universidades. Professores que passam horas conversando sobre assuntos que pouco tem em comum com a matéria lecionada, para ao final passarem trabalhos enormes, feitos a mão, e pouparem seu trabalho de dar aulas. A miséria salarial sempre cai na conta no quinto dia útil, para que se estressar!
Não se pode deixar de lado a figura dos bons professores, estes merecem honras e méritos, são heróis!Os verdadeiros mestres do saber sofrem com os minguados recursos para se ensinar, sofrem com represálias de alunos e pais de alunos indisciplinados. Sofrem com a falta de regimentos mais rigorosos quanto aos problemas entre discentes e docentes. Sofrem com a morbidez do sistema educacional.
Ter uma família de professores é um grande aprendizado diário das práticas escolares repugnáveis e merecedoras de maior atenção dos órgãos competentes. Não é incomum receber minha mãe, professora, aos prantos depois de um dia de trabalho. Fatos como agressão por parte de alunos, agressão por parte de (ir) responsáveis pelos alunos, agressão entre alunos, falta da presença de pais em reuniões ou comunicados da escola, alunos que são espancados em casa, que vão à escola sem alimentação, que se envolvem com o crime, que criminalizam a escola.
Além dos referidos problemas, no que diz respeito ao acesso ao ensino superior, temos a vergonhosa sensação de encontrar um nivelamento por baixo nas oportunidades. Ocorrem medidas como o Pró-uni que deveriam funcionar concomitantemente com a melhora da dignidade escolar sendo, portanto, de caráter imediato e não solução definitiva para o acesso à educação superior.
Os motivos para a cegueira dos nossos ilustres representantes frente à educação vão muito além da minha compreensão, talvez seja o fato de que quanto pior for a educação mais pessoas votam nos políticos demagogos e usurpadores das fraquezas sociais, mas seja o que for, a vergonha na cara deve falar mais alto que a vontade política. As atenções devem se voltar par a questão educacional seja por meio de debates, audiências públicas ou referendos. Não quero mais ver minha mãe chorando, nem quero ver outras mães chorando por seus filhos não terem as devidas oportunidades. O ensino necessita de uma atenção especial por parte de todos, pois é fazendo-se o alicerce deste prédio chamado Brasil que poderá se almejar conhecer a cobertura, também conhecida por desenvolvimento econômico e social.


Nem todos têm a sorte de receber uma educação completa; as falhas dos professores se compensam pelo auxílio em casa, e vice-versa. Também o sonho que miramos no horizonte é antigo; moradia e alimentação de qualidade, apoio psicológico às nossas crianças, e mais uma série de fatores extra-classe. E desde tempos mais antigos ainda vive o homem sob a ótica da responsabilidade. Atribuímos responsabilidade e culpa a quaisquer ações. Em jargões populares, é tão comum ouvir: A culpa é da sociedade, a culpa é dos políticos, a culpa é divina, e a assim por diante. Só se torna um problema de verdade quando o cidadão que os diz se exime de conhecer as causas daquilo que crítica. Quando se basta de apenas pôr a culpa sem necessariamente conhecer cada fio da malha fina que tece a política, a sociedade. O conhecimento é modificador. O conhecimento rompe com a ladainha da "caça às bruxas" para proporcionar as mudanças objetivadas. As circunstâncias são mais favoráveis a pessoas como Jean Soares, eu e outros mais nesse acesso ao conhecimento. Por isso temos em mãos a responsabilidade de buscar esse "futuro digno" que sonhamos para o mundo. Fujamos, pois, do já desgastado debate crítico sobre este assunto, compartilhemos aqui os nossos feitos por um mundo digno. Embora tenha feito análises de modo um tanto geral, Jean levanta a questão para que possamos impulsionar. Para que não deixemos o altruísmo de nossos projetos morrerem. Como têm morrido. Minha fé está em ver que os projetos sempre renascerão, sempre que houver pelo menos um para sonhá-los e acreditar que são bem mais que relances de heroísmo.
ResponderExcluirAbraços, grande Jean