sábado, 5 de setembro de 2009

Objetivos

O atirador de elite encontra-se no alto de um velho prédio, as suas amizades se resumem aos objetivos traçados. Seus traços são humanos, mas seus instintos são animalescos. Para ele pouco importa o que acontece lá em baixo, ele só quer o tiro perfeito. Assim ele constrói seu caminho, sentir o brilho do laser, sentir o envolvente toque do gatilho. Este é o seu prazer.

A vítima, um sequestrador que passou a vida tentando não se afogar no mar da sociedade. Ele viveu sempre a margem de tudo e todos, muitas vezes passou fome, muitas vezes fez assaltos, sabia que não viveria muito tempo, talvez por isso decidiu fazer a sua justiça social. Seu último sentimento foi a visão de uma pequena luz vermelha entre seus olhos e , enfim, o suspiro final.

O sequestrado era um transeunte, depois de um longo dia de trabalho, depara-se com o fugitivo de um assalto a banco que o toma por refém. A todo instante ele se lembra de seus filhos, seu único objetivo é sobreviver. A tensão faz com que tudo pareça confuso, câmeras de TV, policiais, curiosos, tudo estranho para uma pessoa acostumada com a rotina. Ele percebe a luz vermelha, acha que vai morrer, então vê um corpo ao seu lado.

Os objetivos mostraram-se diferentes, dois foram alcançados. O sequestrador não teve uma vida digna, assim diziam os jornais. O atirador virou herói e deu entrevista exclusiva para uma grande emissora de TV. O sequestrado manteve sua vida medíocre depois de aparecer em uns programas de fofoca. E tudo sempre volta ao normal, afinal, assim caminha a humanidade...

3 comentários:

  1. "Objetivos" me faz pensar em perspectiva. Vejo todos os momentos da vida, cada grão do espaço-tempo em que fomos atiradores, sequestradores, reféns. Quantas vezes os nossos planos se atrelaram às vidas de outros, e tudo pareceu se resolver logicamente no final. Mas não há lógica alguma em viver. E continuamos nossos caminhamos, seja o da glória dos programas de tv, seja continuar aquela vida rotineira, seja ouvir o eco surdo atravessando o ar para nos levar ao desconhecido. Pouco importa o quanto gire, a história levará todos ao mesmo lugar.
    Abraços, amigo

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  2. Caro David, a essência deste texto é justamente mostrarem-se os clichês que sempre se repetem, a marginalização que continua, a frieza humana, etc..." assim caminha a humanidade" é apenaas uma forma metafórica de se expressar isso ao final deste texto.

    obrigado pelo comentário

    abraço

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