sábado, 5 de dezembro de 2009

Loucuras

A loucura está presente a cada dia mais em nossa sociedade hipócrita. Loucos são eles, loucos somos nós. Basta abrirmos os olhos e ver aquela cara conservadora de William Bonner, nos últimos dias adquiri histórias suficientes para um dia contá-las aos meus netos. Coisas loucas acontecem nas pequenas esferas de poder, nas grandes esferas de poder, melhor, elas acontecem, isso, simplesmente, acontecem.

Quando contar aos meus netos a seguinte história não sei se a reação vai ser amistosa ou se os tempos estarão mudados demais e tudo cairá na normalidade, creio que a segunda opção é a mais viável. A verdade é que nos últimos dias vi coisas contraditórias e loucas, talvez já esteja louco também, afinal, todos vem digerindo normalmente os pratos exóticos propostos pelos poderosos, pela mídia, enfim. Eu não.

Vou começar contando que um negro americano venceu na vida, após dificuldades em um país de notável presença racista, ele se elegeu presidente, seus discursos eram lindos de se ouvir, suas promessas conquistaram o mundo, e sem tomar nenhuma decisão pacífica, ganhou o Nobel da Paz. Os meus netinhos perguntarão com os olhinhos aflitos: “O que tem demais nisso vô?” Ora, o negro americano, ganhador do Nobel da Paz, prometeu levar paz ao Afeganistão, para tal, ele mandou tropas militares, prometeu acabar com a guerra em um ano e meio. Aprendi com isso, meus netos, que paz se consegue com sangue e vice-versa.

Outra história curiosa tenho para lhes contar, o Brasil, nosso lindo e admirado país, sempre possuiu a fama de não intervir em assuntos estrangeiros, isso mudou, um dia um homem estranho, bigodudo, estava invadindo a nossa Embaixada em Honduras, com o consentimento do nosso Chefe de Estado. Havia um pretexto estranho para mantê-lo ali, aquele homem estranho era ex-presidente de Honduras e queria modificar algo na Constituição para se manter no poder por muitos anos, deu errado, houve um golpe de Estado, ele acabou ficando na Embaixada brasileira. O problema foi resolvido, houve novas eleições, democráticas, por sinal, mas o nosso país não aceitou. O homem continuou na Embaixada, com o seu chapéu estranho e seu bigode. O mais estranho, netinhos, é que o nosso governo aceitou eleições de um país com base democrática no mínimo estranha, um tal de Irã,com um presidente o qual me recuso a pronunciar seu nome esquisito.

Ainda vi, netinhos, monopólios tão repugnantes para a sociedade se formarem, grandes conglomerados bancários, lojas de eletrodomésticos, postos de gasolina enfim. Os preços, consequentemente, foram monopolizados também. Meus tempos eram tidos como tão modernos, prometia-se a aceitação das diferenças, no entanto, vi uma aluna universitária ser hostilizada por sua vestimenta. Vi contradições absurdas, netinhos, vocês também verão, afinal, tudo que vemos é humano, é errado e imperfeito, egoísta e abominável.

Chega de história! Agora vou surfar! Não é por acaso que me chamam de “Vovô Maluco Beleza”.

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