domingo, 27 de dezembro de 2009

Em férias
Volto em duas semanas. Aguardem!
Abraços

domingo, 20 de dezembro de 2009

(Este texto é uma ideia do meu grande amigo Diógenes)

Cartinha de Natal

Excelentíssimo Sr. Papai Noel,

Venho por meio deste ofício comunicar-lhe sobre as minhas frustrações de Natal. A minha primeira frustração consiste em saber o porquê da representação do natal (nascimento) por um velho louco que sai por aí dando presentes para as criancinhas. A minha segunda frustração consiste em saber o porquê do uso de uma roupa vermelha (me lembra algo diabólico) em uma data cristã. A minha terceira frustração consiste em saber o motivo de o senhor fazer tantos filmes e propagandas, consequentemente ganhar muito dinheiro, e continuar morando na porcaria do Pólo Norte. Outro motivo que me leva a repudiar o senhor está n a seguinte pergunta: Por que o senhor não vai à Etiópia? Não tem resposta hein danadinho! Era de se esperar.O senhor tem opiniões políticas? O senhor deveria ser um burocrata socialista frustrado, daí o uso do vermelho diabólico. O senhor nem deve morar no Pólo Norte, sua moradia deve ser em algum recanto da Suíça com todo o dinheiro que ganha em sua atividade artística; fotos na neve são sempre parecidas! O porquê de não ir à Etiópia? O senhor deve ter um fundo de racismo e fobia de pobreza. Quando era criança nunca ganhei presentes caros, ao contrário de meus amiguinhos filhos de homens ricos. Vai ver o senhor é um político do PT, ou um governador do Democratas, quem sabe uma ilusão capitalista ou uma aspiração da humanidade de marcar dia para ser idiota.

Quero que o senhor passe na minha casa, estarei acordado, tranquilo, talvez armado, venha que eu destruirei todas as aspirações idiotas da humanidade, te esquartejarei e colocarei todos os seus pedaços no seu velho saco vermelho, colocarei fogo e depois doarei suas renas ao Fundo dos Caçadores de Veados, assim, a humanidade talvez possa dar ao Natal seu verdadeiro significado e, enfim, viver o sentido da unidade e renascimento espiritual.

Com muito carinho,

Alguém.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sinuca

Ela chegou, não disse nenhuma palavra agradável, não mentiu, apenas disse o que havia de ser dito. Ela é sorrateira, traiçoeira, pobres de nós. De que adianta ter tudo, caro amigo? Isto você deixará para trás, deixará sua identidade, sua realidade, viverá em constantes crises insanas, buscará o vazio, sem-terras habitarão sua propriedade intelectual improdutiva.

Ela é desconhecida, ao mesmo tempo íntima de todos, não quer saber de discriminação, todos passam por Ela. Tudo bem, loucos e poderosos anteciparam seus serviços, Stalin foi muito bom neste aspecto! Quando menos se espera estamos tomados em seus braços, um abraço gelado como o ar rarefeito do topo do Everest.

Lembranças ficam, aparece alguém em busca de algo bom para se lembrar. Velas vez em quando são acesas. Lágrimas sempre caem. Gritos histéricos ecoam no silêncio da eterna saudade. Ela sabe o que faz, nós não. As discussões de nada adiantam, Deus não tem culpa, Ele quer conversar conosco, dizer palavras bonitas, lindos sermões.

É uma sinuca, não há saída possível. Ela é impiedosa, ao mesmo tempo tem piedade de todos nós. Resta-nos assistir a sua passagem, não será fácil, afinal, somos humanos, nunca teremos maturidade suficiente para entender qualquer coisa que venha dos mistérios da vida e da morte. Temos a única certeza de que as bolas caem na caçapa escura. Seremos encaçapados.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Loucuras

A loucura está presente a cada dia mais em nossa sociedade hipócrita. Loucos são eles, loucos somos nós. Basta abrirmos os olhos e ver aquela cara conservadora de William Bonner, nos últimos dias adquiri histórias suficientes para um dia contá-las aos meus netos. Coisas loucas acontecem nas pequenas esferas de poder, nas grandes esferas de poder, melhor, elas acontecem, isso, simplesmente, acontecem.

Quando contar aos meus netos a seguinte história não sei se a reação vai ser amistosa ou se os tempos estarão mudados demais e tudo cairá na normalidade, creio que a segunda opção é a mais viável. A verdade é que nos últimos dias vi coisas contraditórias e loucas, talvez já esteja louco também, afinal, todos vem digerindo normalmente os pratos exóticos propostos pelos poderosos, pela mídia, enfim. Eu não.

Vou começar contando que um negro americano venceu na vida, após dificuldades em um país de notável presença racista, ele se elegeu presidente, seus discursos eram lindos de se ouvir, suas promessas conquistaram o mundo, e sem tomar nenhuma decisão pacífica, ganhou o Nobel da Paz. Os meus netinhos perguntarão com os olhinhos aflitos: “O que tem demais nisso vô?” Ora, o negro americano, ganhador do Nobel da Paz, prometeu levar paz ao Afeganistão, para tal, ele mandou tropas militares, prometeu acabar com a guerra em um ano e meio. Aprendi com isso, meus netos, que paz se consegue com sangue e vice-versa.

Outra história curiosa tenho para lhes contar, o Brasil, nosso lindo e admirado país, sempre possuiu a fama de não intervir em assuntos estrangeiros, isso mudou, um dia um homem estranho, bigodudo, estava invadindo a nossa Embaixada em Honduras, com o consentimento do nosso Chefe de Estado. Havia um pretexto estranho para mantê-lo ali, aquele homem estranho era ex-presidente de Honduras e queria modificar algo na Constituição para se manter no poder por muitos anos, deu errado, houve um golpe de Estado, ele acabou ficando na Embaixada brasileira. O problema foi resolvido, houve novas eleições, democráticas, por sinal, mas o nosso país não aceitou. O homem continuou na Embaixada, com o seu chapéu estranho e seu bigode. O mais estranho, netinhos, é que o nosso governo aceitou eleições de um país com base democrática no mínimo estranha, um tal de Irã,com um presidente o qual me recuso a pronunciar seu nome esquisito.

Ainda vi, netinhos, monopólios tão repugnantes para a sociedade se formarem, grandes conglomerados bancários, lojas de eletrodomésticos, postos de gasolina enfim. Os preços, consequentemente, foram monopolizados também. Meus tempos eram tidos como tão modernos, prometia-se a aceitação das diferenças, no entanto, vi uma aluna universitária ser hostilizada por sua vestimenta. Vi contradições absurdas, netinhos, vocês também verão, afinal, tudo que vemos é humano, é errado e imperfeito, egoísta e abominável.

Chega de história! Agora vou surfar! Não é por acaso que me chamam de “Vovô Maluco Beleza”.

sábado, 21 de novembro de 2009

Estresse

Dor - de –cabeça; comprimido.
Ônibus lotado; comprimido.
Ar fresco; comprimido.
Sapatos; comprimindo.
Pneu; compressão.
Altura; comprimento.
Mente; compressora.
Homem; panela -de –pressão.

domingo, 8 de novembro de 2009

Medo

O temido comunismo, durante décadas o grande medo da sociedade capitalista eram os diabólicos comunistas. Supressão de liberdade individual (ditaduras militares), guerras como a do Vietnã, e medo. O medo continuou a imperar sobre nossa famigerada sociedade. A URSS e o Muro de Berlim beijaram a lona, a luta durou décadas, os golpes dados respingaram sangue sobre grande parte do Globo. É sempre interessante falar-se em sangue, afinal, ele move interesses e ideologias. Os famosos Ataques às Torres Gêmeas, sangue para todos os lados, mais um mandato de George Bush, invasão e controle político do Afeganistão e, de brinde, o medo implantado sobre a sociedade mundial propiciando legitimação aos atos restritivos de liberdade e controle de massas pelos detentores do poder.

O Brasil não se excluiu do processo de implantação do medo como ferramenta de governo. O “Bicho-Papão” chamado comunismo propiciou a instalação de uma ditadura militar no país, como consequência, vários torturados e mortos anotaram seus nomes em um triste tempo de nossa história. Após o fim deste horrendo período, alguns “esquerdistas” organizaram um encontro no ano de 1990 no chamado Foro de São Paulo, tal encontro definiu as bases de atuação da esquerda no contexto mundial, resumindo-se a história, um dos participantes deste evento era Luís Inácio Lula da Silva, que após anos de tentativas se elegeu presidente com méritos. O tal Lula, por sua vez, se apropriou da mesma política de medo utilizada em outras circunstâncias por países como os EUA, antes seus inimigos em tempos de ditadura. O calcanhar de Aquiles da vez chama-se segurança pública. Um problema que tem solução, não imediata, mas em longo prazo pode dar uma margem de satisfação para o cidadão que assiste a todo esse filme sem saber para onde ir, o governo sempre tem a razão,sabe perfeitamente para onde ir,ele vai para a exploração do bom senso do cidadão e dita a máxima de que o poder sempre está certo. O cidadão pode ser violado moral e materialmente pelo bem de todos. Assim, querem que caminhe a sociedade. Não é fruto apenas do lulismo o uso dessas práticas no Brasil, Fernado Henrique Cardoso também se manteve no poder pelo medo da população com relação à instabilidade econômica. E outros farão o mesmo. O louco do Hugo Chávez prega o medo aos diabólicos americanos, os europeus pregam o medo aos estrangeiros etc. E nós? A nós que não estamos nos bastidores do poder, cabe assistir a tudo atônitos pelo Jornal Nacional, e sentir medo, afinal, ele impulsiona a humanidade.

sábado, 7 de novembro de 2009

“A rosa”

Ela é o objeto de desejo para muitos, os homens querem senti-la, tocá-la, acariciá-la, no entanto, para isso existe um complexo ritual. Rituais que, por muitas das vezes, são demorados e exaustivos, mas têm a sua compensação. Situações diversas rondam tais rituais e o homem contemporaneamente primitivo extintivamente busca “a rosa”.

“A rosa” timidamente desabrocha, geralmente da décima segunda à décima quinta primavera, suas donas são de dois gêneros; umas não se importam com a conservação de suas rosas, outras protegem ao máximo aquelas preciosas fontes de desejo do homem. As primeiras não usam de etapas para facilitar o acesso às suas rosas. Já as segundas querem estabelecer regras e, como em um jogo, todas elas devem ser rigorosamente cumpridas para se alcançar o prêmio maior.

Os requisitos clássicos para se conhecer “a rosa” são: o diálogo com os criadores da rosa, situação não muito confortável. O segundo passo é a adubação frequente do biobjeto desejado, relevando-se que insumos baratos serão rejeitados e dificultarão a acessibilidade. O terceiro passo é a compra de um anel dourado para a dona da rosa, seguido de cerimônias místicas e legais.

Após o seguimento de todos os rituais chega-se ao encontro da “rosa”. O encontro é marcado por violentos atritos e a rosa se machuca, ferida que sempre unirá o homem e a pessoa por trás da flor vermelha. Ao final, o homem perceberá que tudo é muito mais que apenas uma rosa, perceberá a existência de fortes laços entre ele e a mulher que lhe atribuiu o grande presente, perceberá que a vida é feita de amor.

domingo, 1 de novembro de 2009

Comunico aos caros leitores que esta semana não haverá postagem, no entanto, aguardem a próxima semana onde postarei dois novos textos.

abraços

sábado, 24 de outubro de 2009

Ruivinha

“As coisas mudam”, segundo a minha avó. Sempre achei essa expressão estranha, manjada, vaga, mas hoje reconheço o seu valor. Existem acontecimentos que passam naturalmente por nossa existência, não me lembro quando aprendi a andar, ou quando aprendi a amarrar os sapatos, entretanto, certas coisas acontecem com menos naturalidade, talvez por isso ficam para sempre em nossas memórias.

Dias observando corredores e jogando conversa fora, ideias malucas e, pronto! Fugindo da rotina encontra-se um amor. Não entendeu? Eu explico. Imaginem um rapaz em seus tempos de escola, ele é meio louco e tem amigos meio loucos também. Ele vive enclausurado na rotina dos corredores de sua escola, algo natural para sua vida. Um dia o rapaz e seus loucos amigos resolvem mudar algo, as ideias aparecem, assistem aula em uma outra sala, neste momento um novo ciclo social se abre e dele aparece uma certa pessoa ruiva e delicada. Lá está o amor!

O que falta para nossas vidas? Dinheiro, sucesso, amor? Uma mistura destes três itens e outros mais? Cabe apenas a cada um saber o que quer e o que pode, o único conselho que me cabe é: “Façam as coisas mudar”, não esperem a guerra para usarem as armas, mudem o caminho de volta, caminhões, ande em um. Acorde com o pé esquerdo e veja como seu dia irá melhorar. Não assista aos mesmos telejornais chatos, vá ver as estrelas. Mate aula de vez em quando (encontrei meu grande amor assim). Não leia textos como este, você pode ficar confuso.

sábado, 17 de outubro de 2009

As ruas

Lá está o garoto com seus pés cansados, um carrinho de material reciclado nas costas e uma esperança. Pela mesma rua circula um homem, embrutecido pelo tempo, mesquinho pela convivência social, desgarrado de qualquer emoção. O menino deve satisfação a seus pais, deve entregar o pouco dinheiro do dia para pensar em ter o que comer. O homem deve satisfação ao seu chefe, pensa que tem o pior emprego do mundo, está juntando dinheiro para uma viagem à Europa nas férias.

Pela mesma rua, uma mulher leviana circula com a sua minissaia, seu rebolado entorpece os homens que passam, todos a imaginam sobre o prisma de um objeto sexual, ninguém sabe que ela tem problemas familiares. Uma freira que não sente vocação religiosa também passa por ali, ela cumpre uma promessa antiga feita por sua mãe.

A mágica da rua continua, ela é ecumênica, passam por ela ricos e pobres, homens e mulheres, gênios e idiotas. Assim a passarela da vida fica, não passa, seu efeito paralisante é eterno, místico, ao contrário do homem que por ela transita, que reflete apenas os seus anseios, malícias, problemas. A rua não tem olhos, mas por ela nada escapa, o ser humano é incapaz de olhar para o lado e tudo passa por ele normalmente, inclusive a rua.

sábado, 10 de outubro de 2009

Nuvens

Dias nublados, lembranças, e uma taça de vinho. Foi assim durante muito tempo. Não havia necessidade de adquirir grandes responsabilidades, todos sentavam em volta de um velho violão que entoava canções do movimento Grunge. Tudo parecia relativamente fácil, mulheres nunca faltavam, bebida também não, cigarro para quem fuma, e conversas sobre o futuro.

Bom mesmo eram as sessões cinema, casas de amigos, conversas intimas e intimatórias, vez em quando incriminatórias. Alguns estudavam, outros não, alguns eram tímidos, outros não, alguns eram bons de bola, outros não, alguns bebiam, outros não, no entanto, todos eram amigos. Como é bom ter amigos!

Eram em dias nublados que tudo parecia ficar mais interessante, as ideias sempre fluíam, o caminho de volta da escola era mais bonito, sempre parávamos para tomar algum tipo de bebida gaseificada em uma loja de conveniência em um posto de gasolina. Inseparável amizade, um cara estranho e cabeludo que tinha muitas ideias, tinha assunto de sobra. Falava-se de coisas cultas e outras nem tanto, mas eram momentos especiais, até que o relógio apontasse três da manhã, era hora do estranho garoto cabeludo ir embora, sempre a pé. Ficava a certeza; amanhã ele volta, e sempre voltava.

Iniciavam as responsabilidades, mudava-se o ambiente, mas o rol de amigos apenas se ampliou, conhecer novas pessoas sempre trás novas perspectivas de vida. Grandes tempos, em que sair mais cedo da escola era símbolo de jogar videogame, em que nunca voltava só para casa, em que pequenas paixões dominavam um corpo adolescente.

E os tempos voltaram a mudar, juntamente com o ciclo estudantil, era o penúltimo ano naquela escola, a antecipação da saudade começou a incomodar. Amigas, elas sim, sempre deixam saudade, um carinho de amigas em dias difíceis faz muito bem. Neste ano em específico, as mulheres definitivamente marcaram a pacata vida de um jovem secundarista. Eram figuras especiais, uma modelo que tinha uma vida badalada e aproveitava ao máximo cada instante com um toque infantil e gracioso em suas ações; sua amiga inseparável era uma mulher de incrível maturidade, com quem todos os assuntos eram plausíveis de memoráveis diálogos. Uma esportista extremamente atenciosa, uma moreninha de óculos muito estudiosa e amorosa, uma menina geniosa que se impunha sem deixar de mostrar o seu lado amoroso. Todas cativaram um lugar especial na vida do espirituoso adolescente.

O ano letivo continuava, e inesquecível foi um dos últimos dias letivos, um rapaz moreno e cabeludo, de unhas grandes, juntamente com um alto rapaz magro, fanático por Metallica, ambos muito engraçados, juntaram-se com o jovem protagonista desta epopéia, e o resultado foi uma aula em que os três juntaram suas mesas e cadeiras passando a totalidade do tempo contando histórias e rindo. Realmente um dia especial.

Chegava, enfim, o ano de decisões, novamente se acrescentaram novos amigos na vida desse garoto, que já começava a se comportar como um homem. Desta vez a amizade aconteceu como em uma brincadeira, tudo passou muito rápido, um dia estava-se jogando corrinha, em plena aula de filosofia, e em outro, todos estavam se abraçando e chorando em uma cerimônia de formatura. Despedidas nunca são fáceis!

Hoje, mais homem que menino, o jovem rapaz encontra amigos universitários, dentre eles, um outro jovem de conhecimento grande, e uma menina que sempre passa a impressão de saber o que está fazendo, ela gosta de filmes, ele adora ler. E muitos outros apareceram, um político, um piadista, um tarado etc.

Culminando uma taça de vinho com um dia nublado e uma canção vinda de Seatle, as lembranças surgem e uma lágrima escorre de alegria por ter tantos amigos, e textos como esse, vez em quando aparecem, leves, carregados de um mistério, visto em nuvens cor cinza e em vagos devaneios.

( Homenagem a todos os meus grandes amigos)

sábado, 3 de outubro de 2009

Absurdos

Isso é um absurdo! Desculpe a expressão, força do hábito. E a habitualidade vem nos dando aulas de como nos admirarmos com as mesmas notícias todos os dias. O ciclo de absurdos vem atravancando nossas vidas, ficamos presos entre cães ferozes, marginais e nossas consciências.

Sempre algo aparece e, “boom” é um absurdo! Os costumes mudam e os absurdos também. Há algum tempo os preservativos eram absurdos demoníacos; hoje, mesmo com algumas contestações religiosas, o uso da camisa-de-vênus é apoiado por médicos e defendido em campanhas governamentais.

A criminalidade, esta sim, é um absurdo, ou não. A criminologia é uma vertente do Direito Penal encarregada de estudar os motivos reais que levaram um indivíduo a cometer um delito. Bem, para muitos, os crimes são injustificáveis, não discordo. No entanto, práticas criminais não devem ficar apenas na dicotomia polícia-bandido, servindo assim para ilustrar páginas de jornais e nos encher de preocupações quanto aos crimes que virão.

A análise de crimes sobre uma ótica sociológica, e de cunho determinista pode levar a um entendimento dos fatores reais de criminalidade e no combate a essas práticas. Por mais que se fale que a pobreza não influi e que ricos praticam crimes, é esquecido o fator de gravidade do crime. Ricos cometendo extorsão (conhecido como “me dá um dinheiro aí!”) não é um fator comum. Claro que temos pessoas influentes sustentando o contrabando e o tráfico, no entanto, quem vem roubar as nossas casas são pobres, em sua grande maioria. Pobres, por sua vez, não tem acesso à educação, saúde, alimentação, saneamento, lazer etc. Deve-se ressaltar que a maioria das pessoas é de boa índole, mas a exceção pode vir pela busca do dinheiro fácil e na melhoria de uma qualidade de vida que nunca vem.

Existem dias em que nos sentimos enfurecidos com o crime, com os horrores dos jornais, muitas vezes somos atingidos diretamente por este mal. E sempre nos lembramos de resmungar: “É um absurdo!” “Que coisa horrível!” E nunca nos lembramos de votar certo, de ajudar alguém, de tratarmos bem uma pessoa, de agradecer pelo que temos, de estarmos atentos à evolução dos tempos e costumes. E ficaremos em frente à TV reclamando e esperando o fim dos tempos, pedindo punições severas, penas de morte, prisões perpétuas de bandidos que já foram crianças e, por um lapso de tempo pensaram em uma vida melhor.

Estar atento para a vida, ela retribuirá, de alguma forma, talvez te poupando de ler blogs como este ou de assistir ao horário da tragédia diária, sustentada pelos comerciais de cerveja e pelos absurdos costumeiros.

sábado, 26 de setembro de 2009

Respeitável público

O ar lúdico dos circos, palhaços, acrobatas, crianças. E entre a multidão, um homem dialoga, argumenta, questiona, relembra, brinca, e culpa o tempo. O implacável tempo, aquele que nos dá rugas, experiência, e não para. Em hipótese alguma. Não adianta tentar. Essa prerrogativa você não terá!

A xícara de café, lá está ela, a representação máxima de que você é um homem. Faz muito tempo que você mamava como um bezerro. Agora, apesar de odiar café, bebe insistentemente a bebida psicoativa, tem que levar trabalho para casa e ficar acordado até tarde. De madrugada, você faz um assalto à geladeira! E exausto cai inconsciente na cama. Pronto para um pouco mais de quatro horas de sono. Apesar do pouco tempo, você ainda consegue sonhar, suave é a voz de seu pai, aquele que te levava para o circo, te mostrava os bichinhos, e contava historinhas para você dormir.

Ao acordar com o horrendo barulho de um velho despertador, seu dia começa, antes de sair, uma olhada no espelho. Cabelos brancos, rugas, olhos vagos, perdidos, a procura de um menino que se perdeu. O trânsito continua caótico, uma hora e meia de percurso para o trabalho. Telefonemas, e você é obrigado a utilizar seu inglês macarrônico, cena engraçada, mas ninguém acha graça. Talvez se o menino estivesse ali ele esboçaria um sorriso. Seus colegas falam sobre teorias para se evitar o estresse, você ouve algo sobre mudar a rotina. Acha interessante.

Ao sair do trabalho, depois de cumprir hora extra, você muda o caminho de volta, quer fugir da rotina, e se depara com um circo. O circo continua com os mesmos palhaços, acrobatas e crianças. Você sente a necessidade de entrar. Vencido pelo cansaço você adormece, e ao fundo tem uma voz que diz: “Respeitável público!”

sábado, 19 de setembro de 2009

Namoro

Venha, não demore tanto! A minha alma clama por sua presença. O meu ser ainda sente o seu gosto. Não faço questão de egoísmos vãos, afinal, tudo é passageiro (menos o motorista e o cobrador!). Desculpe a piada insana. Eu sei que está tudo bem. Está certo fomos feitos um pro outro. Hoje te comprei bombons. Por que me chama de bobo? Tem motivo? Sei que tem. É tão bom estarmos juntos! Já te falei o tanto que te amo! Não sou tão criativo, creio que não existe outra expressão que se adéque melhor a esse momento. Você me ama? Jura? Então fala ao meu ouvido, melhor, não fala, sussurra! Que bom!

Casamento

Não estou bêbado, pare de falar asneiras. Já paguei as contas. No sofá? Não, isso eu não admito, sou eu quem paga as contas. Você me perdoa? Quero um beijo. A noite foi boa pra você? Grávida? Não vou mais trocar de carro. Tenho que poupar dinheiro. É uma menina! Linda! Vem brincar com o papai! Farra do trabalho, não vou, sou um homem sério! Posso jogar bola? Irresponsável? Eu? Não. Está bem não vou. Faz tempo que não te falo o quanto eu te amo. Nossas vidas estão entrelaçadas demais! Papai e mamãe vão jantar fora, você fica com a vovó esta noite. Diversão! Amo você! Grávida? Outra vez? Vou vender o carro. Um homem tem que tomar decisões difíceis! Chorei. Tinha um belo jogo de rodas! Faz sol. Vamos ao clube? Fica no raso, cuidado! Estou velho. Vou levá-la pela Igreja. Não gosto do rapaz. Lá se vai minha filhinha! Avô? Nossa! Como o tempo é impiedoso. Volto à Igreja. Outra filha que tenho que entregar. Agora somos nós dois. A casa está enorme. Avô? Dois netos. Almoço de domingo, amo todos vocês! Chegou o meu fim. Gostei da vida. Ela sorriu para mim. Acabou!